Douglas Lima Editor
O endividamento das famílias brasileiras alcançou um percentual alarmante de 80,4% em março, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No Amapá, a situação é igualmente preocupante, com 71,7% das famílias enfrentando dívidas, totalizando cerca de 98 mil lares endividados.
Motivos do Endividamento no Brasil
Beatriz Cardoso, gerente executiva do Instituto Fecomércio, aponta a falta de planejamento financeiro como uma das principais causas para esse elevado índice de endividamento. A facilidade de acesso ao crédito, mesmo para aqueles que estão negativados, e o crescimento dos bancos digitais também são fatores que contribuem para essa realidade. “É preocupante. É como se a população inteira de Santana estivesse endividada”, destacou a economista em entrevista ao programa Togas e Becas (Diário FM 90,9).
Impactos do Crédito Consignado
Cardoso alerta que o uso excessivo de empréstimos pessoais, especialmente o crédito consignado — que utiliza o FGTS como garantia —, tem agravado o estado de endividamento no estado. “No Amapá, 17% das pessoas estão endividadas por conta desse tipo de crédito”, afirmou. Esse cenário compromete o poder de compra e a capacidade de consumo, levando muitos a usar o crédito como um complemento de renda para despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que não é uma prática recomendada.
Estratégias para Sair do Vermelho
Beatriz Cardoso recomenda que, para lidar com a situação, os consumidores busquem recuperar o crédito através de negociações diretas com os credores. Ela menciona que algumas instituições oferecem até 90% de isenção em juros, e que canais oficiais como o Serasa podem ajudar no abatimento das dívidas. Também sugere opções como a portabilidade da dívida para outras instituições financeiras e a ampliação dos prazos para pagamento.
A economista também comenta que, frequentemente, no final do ano, empresários locais facilitam a quitação de débitos oferecendo descontos e opções de parcelamento. Em nível nacional, órgãos como Procon e SPC/Serasa promovem mutirões de renegociação adequados à realidade orçamentária das famílias, o que pode ser uma ótima oportunidade para quem busca retomar o controle financeiro.




