Prefeitura de Macapá incentiva a cultura afro-brasileira e ancestralidade

Prefeitura de Macapá incentiva a cultura afro-brasileira e ancestralidade

A exposição “Ajeum: Da Comida de Santo à Nossa Mesa” destaca a rica relação entre gastronomia e religiosidade africana, inaugurada na sexta-feira, 2, no Museu de Artes, Cultura e Memórias Negras, com apoio da Prefeitura de Macapá e do Instituto Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Improir). Realizada pelo Unzó Gangavulá Junçara, a mostra ficará aberta até o dia 19 de outubro, oferecendo uma experiência única que valoriza a ancestralidade e a cultura africana presente no Brasil.

Através da culinária, a exposição convida o público a descobrir histórias que perpetuam memórias e celebram as tradições dos terreiros. O evento tem objetivo de desmistificar preconceitos e mostrar que muitos pratos, antes restritos a ambientes religiosos, estão presentes no dia a dia da culinária brasileira.

O Significado do “Ajeum”

O termo “ajeum” provém do iorubá e traduz a ideia de compartilhar alimento. Nas tradições africanas, a comida carrega significados profundos que vão além da nutrição, envolvendo devoção, memória e celebração de identidades. A exposição é um meio de apresentar ao público a importância da comida de santo, particularmente no contexto do Candomblé e da Nação Angola, da qual o Unzó Gangavulá Junçara faz parte.

Com isso, a mostra contribui para disseminar conhecimentos e esclarecer a origem dos pratos que, frequentemente, são cercados de mitos e estigmas. Muitas preparações tradicionais, como omolocum, acarajé e dam (adimu), trazem em si a resistência e a essência das culturas africanas inseridas na identidade brasileira.

Um Espaço de Diálogo Cultural

O primeiro dia da exposição já surpreendeu o público com pratos emblemáticos e uma rica visita ao museu. Cada um dos alimentos expostos carrega uma história de resistência cultural que apela para o reconhecimento e valorização das influências africanas na formação social do Brasil.

A diretora-presidente do Improir, Elisia Congó, enfatizou a relevância de apresentar essa temática no museu, destacando que as comidas de terreiro também fazem parte da rotina das pessoas. Todos os pratos estão presentes em lares e restaurantes, tornando-se uma parte integral da nossa cultura.

Combate ao Preconceito e Preservação Cultural

O pai Jórleo de Angarô, membro do Unzó Gangavulá Junçara, falou sobre a importância da iniciativa na luta contra os preconceitos associados às religiões de matriz africana. Ele acredita que a exposição é fundamental para que a sociedade compreenda a cultura envolvida no Candomblé e reconheça a riqueza dos saberes ancestrais.

Sendo levada às escolas, a exposição pretende mostrar às novas gerações que a cultura de matriz africana faz parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro. Ao compartilhar esses saberes, fomenta-se um diálogo que poderá transformar a visão preconceituosa que muitos ainda têm sobre as tradições dos terreiros.

A diretora do Museu de Artes, Cultura e Memórias Negras, Sarah Cardoso, reafirma a importância do espaço como um registro das culturas e memórias ancestrais. Sua presença fortalece a cultura brasileira e assegura o respeito pela diversidade religiosa e cultural.

A Prefeitura de Macapá, como parceira da exposição, reafirma seu compromisso em promover a valorização da diversidade cultural e em apoiar iniciativas que reconhecem a importância dos saberes e tradições na construção de uma sociedade mais consciente sobre suas raízes.