Douglas Lima
Editor
Graduado em letras português/francês, mestre em história social e professor de literatura, Luís Carlos de Santana está no mercado editorial com mais uma obra, ‘O túmulo do candango desconhecido’, publicada pela editora amapaense O Zezeu. Este livro traz uma nova perspectiva sobre a vida dos trabalhadores que contribuíram para a construção da capital brasileira, revelando histórias que merecem ser contadas.
Luís Carlos de Santana, que utiliza o pseudônimo Luís Fulano de Tal, já conquistou o Prêmio de Literatura do Projeto Nascente da USP/Abril Cultural em 1995, com a obra ‘A Noite dos Cristais’. Desde então, ele consolidou sua carreira, escrevendo outras obras como ‘O túmulo do soldado desconhecido’, em 2017, ‘Tu tá doido, nêgo?’, em 2021, e ‘Memórias de um policial’, também de 2021. Agora, em 2026, seu lançamento mais recente é ‘O túmulo do candango desconhecido’.
Natural de Pernambuco, Luís Carlos de Santana se aventurou como professor em São Paulo, mas encontrou seu lar no Amapá ao passar em concurso na Unifap. Atualmente, ele é professor de francês em Oiapoque, onde continua a compartilhar sua paixão pela literatura e pela educação.
Uma obra profunda sobre os candangos
O ‘Túmulo do soldado desconhecido’ é prefaciado por Rodison Roberto Santos, de São Paulo, que provocativamente afirma: “Quem tem o coração mole que o torne forte para ler este livro”. Esta citação encapsula a crueza e a profundidade das histórias que permeiam a obra, repleta de experiências memoráveis e, muitas vezes, doloridas.
Segundo Rodison, “Não é de histórias doces não. Há até rapadura, que é doce, no meio das comidas dos filhos do Nordeste, no entanto, a vida, contada aqui nestas páginas, é tão dura quanto o pedaço de melaço de cana das querenças de sabores dos vários lugares anortinados do Brasil”. Essa descrição nos dá uma ideia clara de que a narrativa não possui um viés romântico, mas expressa a realidade vivida por aqueles que ajudaram a erguer Brasília, mesmo diante de tantas adversidades.
As histórias por trás da construção de Brasília
Luís Carlos de Santana é neto de candangos, nome dado aos trabalhadores braçais que fizeram história durante a construção de Brasília. Ele dedicou-se a percorrer as cidades-satélites e periferias do Distrito Federal para coletar depoimentos de sobreviventes que enfrentaram as duras realidades da época, incluindo as repressões sofridas pela GEB, a Guarda Especial de Brasília. O autor busca resgatar e dignificar as vozes desses trabalhadores, honrando suas histórias com o devido respeito.
Os editores do livro, Silvio Carneiro e Lulih Rojanski, definem o Túmulo do candango desconhecido como um convite para olhar além dos palácios e enxergar os rostos daqueles que, após erguerem a capital federal, foram forçados a deixá-la. É um apelo à memória e à dignidade que, mesmo em tempos sombrios, se mantém viva. Eles ressaltam que o livro resgata “a poeira do estradão e a dignidade de quem não aceita ser esquecido”.
A importância da literatura no resgate da história
Através de suas obras, Luís Carlos de Santana se posiciona como uma voz importante na literatura brasileira contemporânea. Seu trabalho não apenas entretém, mas educa, revelando realidades que muitas vezes ficam à margem das narrativas dominantes. Através de personagens e episódios baseados em experiências reais, o autor enriquece a compreensão dos leitores sobre a formação e o desenvolvimento do Brasil moderno.
Publicações como ‘O túmulo do candango desconhecido’ são fundamentais para o reconhecimento histórico dos diversos grupos que contribuíram para a construção do país. A literatura se torna, assim, uma ferramenta poderosa de resistência e de memória, permitindo que as gerações futuras tenham acesso a narrativas que moldaram a sociedade.
O impacto do livro vai além da simples leitura; ele provoca reflexões sobre a identidade brasileira e a história coletiva. Ao dar voz aos candangos, Luís Carlos de Santana nos leva a repensar o valor do trabalho e da dignidade, abordando temas universais que ressoam com todos nós.


