Amazonas – A privatização da Amazonas Energia não conseguiu encerrar os problemas históricos da distribuidora. Depois que o consórcio Oliveira Energia-Atem assumiu o controle da companhia, em 2019, sob a liderança de Orsine Rufino de Oliveira, a empresa continuou acumulando dificuldades financeiras, reclamações de consumidores e falhas no fornecimento de energia.
Documentos oficiais mostram que a situação chegou a um nível crítico. Relatório do Ministério de Minas e Energia, baseado no acompanhamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apontou que a Amazonas Energia não conseguiu alcançar uma condição econômico-financeira sustentável mesmo após a privatização. Em setembro de 2023, a dívida líquida da distribuidora já havia alcançado R$ 9,6 bilhões.
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A situação da Amazonas Energia já estava no radar da Aneel. No ciclo de Planos de Resultados de 2021/2022, a fiscalização da agência identificou a necessidade de melhoria na prestação dos serviços de quatro distribuidoras, entre elas a concessionária amazonense. No caso da Amazonas Energia, o acompanhamento foi direcionado a problemas de faturamento e ocorreu entre outubro de 2021 e setembro de 2022, com fiscalização trimestral. Ao final do período, o plano apresentado pela empresa foi reprovado pela Aneel.
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A gravidade do cenário levou a própria Aneel, em novembro de 2023, a recomendar ao Ministério de Minas e Energia a caducidade da concessão, medida que poderia resultar na perda do direito de operar a distribuição de energia no Amazonas.
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Os problemas também apareceram diretamente na rotina dos consumidores. Dados da Aneel mostram que, no conjunto Alto Solimões, o indicador DEC, que mede a duração média das interrupções, registrou 41,22 horas em 2021, 49,93 horas em 2022 e 37,51 horas em 2023. Em Cidade Nova, Manaus, foram 19,02 horas em 2021, 19,21 horas em 2022 e 17,02 horas em 2023.
As reclamações reforçam o cenário. No relatório de 2023 da própria Amazonas Energia, a Ouvidoria registrou 3.949 reclamações de segundo nível, das quais 43% foram consideradas procedentes. Outras 1.041 reclamações chegaram ao terceiro nível, junto à Aneel, e 61% foram consideradas procedentes. A principal queixa era justamente a qualidade do fornecimento, responsável por 61% desses registros.
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Em janeiro de 2025, mais de 300 mil consumidores foram afetados por um apagão no Amazonas. O episódio levou a Defensoria Pública do Estado a ajuizar uma ação contra a Amazonas Energia, questionando falhas na prestação do serviço e na atuação dos mecanismos destinados a reduzir os efeitos da interrupção.
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A crise da distribuidora já existia antes da privatização, mas os documentos mostram que ela também não foi resolvida durante os anos de controle da Oliveira Energia-Atem. Em abril de 2026, a Âmbar assumiu a concessionária e passou a responder pela operação. Novos apagões registrados depois da mudança já provocaram procedimentos da Defensoria Pública e do Ministério Público, mostrando que a recuperação do sistema elétrico amazonense continua sendo um problema em aberto.
Agora, a Âmbar tenta correr contra o tempo com manutenção, modernização da rede, substituição de cabos, recuperação e construção de subestações e novas tecnologias de monitoramento. O plano apresentado pela companhia prevê R$ 5,5 bilhões em investimentos até 2031, sendo R$ 3,9 bilhões de recursos próprios, numa tentativa de reforçar o sistema na capital e no interior e reduzir o risco de novas interrupções e prejuízos aos consumidores.
