Douglas Lima
Editor
A Companhia Cangapé, com 21 anos de dedicação à arte circense, vem quebrando as barreiras da apresentação tradicional no Amapá. Através do projeto Circo nos Conjuntos Habitacionais, a companhia se desloca por diversas comunidades de Macapá, oferecendo espetáculos gratuitos e atividades formativas que buscam levar a cultura a todos, especialmente às famílias que não têm condições de assistir a apresentações comerciais.
A coordenadora-geral da Companhia Cangapé, Alice Araújo, apresentou a iniciativa durante o programa ‘LuizMeloEntrevista’, transmitido pelo Sistema Diário de Comunicação. Com a terceira edição em andamento, John revelou que o principal objetivo do projeto é democratizar o acesso à cultura. “Circo nos Conjuntos Habitacionais é um projeto bonito que leva a arte circense para perto da população. Buscamos garantir o acesso à cultura, um direito constitucional“, declarou.
O espetáculo é projetado para toda a família, desde os mais jovens até os mais velhos, incluindo idosos e pessoas com dificuldades de locomoção. Com entrada gratuita, a proposta inverte a lógica tradicional de circulação do circo, levando a estrutura até os moradores em vez de exigir que eles se desloquem até o evento. Para muitos, é uma experiência nova; Alice contou que é comum ouvir testemunhos de que aquele é o primeiro contato que tiveram com um espetáculo circense.
Essas experiências ilustram a importância de aproximar a população da arte local. Alice enfatizou: “Levamos o circo até as casas, mostrando a arte produzida aqui no Amapá“. Com isso, a companhia não só apresenta espetáculos, mas também realiza oficinas gratuitas nos residenciais visitados, focando na formação artística de crianças e jovens, um componente fundamental do projeto.
Próxima apresentação no Vila dos Oliveiras
A próxima apresentação do Circo nos Conjuntos Habitacionais ocorrerá no sábado, 31, às 19h, no Residencial Vila dos Oliveiras. Essa será a primeira vez que a companhia levará o projeto ao conjunto habitacional. A equipe fará adaptações na estrutura, já que o espaço disponível não comporta a instalação completa da lona. Apesar das limitações, a apresentação continuará sendo gratuita. É recomendável que o público chegue cedo devido à alta demanda.
Impacto na economia local
A presença do circo nos residenciais também beneficia a economia local ao permitir que os moradores comercializem seus próprios produtos durante os eventos. “Se nós vendêssemos, tiraria esse espaço das comunidades. Portanto, deixamos essa oportunidade para os residentes”, explicou Alice. O projeto também gera emprego na localidade, envolvendo cerca de 30 profissionais diretamente, além de motoristas, carpinteiros, costureiras e outros trabalhadores que participam na montagem e realização dos espetáculos.
Artistas da Companhia Cangapé
A Companhia Cangapé não apenas se apresenta, mas também se dedica à formação de artistas em sua sede, localizada no bairro do Araxá, onde mantém um Ponto de Cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura. No espaço, são oferecidas oficinas gratuitas de circo, teatro e contação de histórias, entre outras atividades. Alice ressaltou que muitos dos artistas hoje fazem parte do elenco profissional, tendo começado nas atividades proporcionadas pela companhia na infância. Alguns deles atingiram a profissionalização, vivendo exclusivamente da arte e do circo.
Cultura circense do Amapá
Com uma trajetória de duas décadas, a Companhia Cangapé já se apresentou em várias regiões do Brasil, além de realizar ações por diversos municípios do Amapá. Alice destacou que a circulação de artistas serve para democratizar a produção cultural do estado, enfatizando que “tudo que acontece em nosso circo é uma produção do Amapá. Todo o espetáculo é local“.
O projeto Circo nos Conjuntos Habitacionais conta com o incentivo da Lei Rouanet, patrocínio do Grupo Equatorial e o apoio da Secretaria de Estado da Cultura.

