O Quilombo do Curiaú, em Macapá, é um exemplo vivo de memória, resistência e riqueza cultural afro-brasileira. Para valorizar essa preciosa herança e aproximar as novas gerações das tradições da comunidade, o projeto ‘Quilombo do Curiaú – Território Ancestral e Potência Criativa’ realizará, nos dias 30 de outubro e 3, 4 e 5 de novembro, diversas oficinas culturais voltadas a estudantes das escolas públicas Maria do Carmo Viana e Maria Neusa do Carmo. As atividades acontecerão no Centro de Cultura Raízes do Bolão, na Maloca da Tia Chiquinha, dentro do próprio quilombo.
Idealizada pelo músico e compositor Adelson Preto, a iniciativa busca fortalecer a identidade quilombola por meio da transmissão de saberes que cruzam gerações. A programação incluirá práticas relacionadas à música, artesanato, culinária tradicional e oralidade, proporcionando aos alunos a oportunidade de vivenciar conhecimentos que fazem parte da essência histórica e cotidiana da comunidade.
Entre as atividades, estão previstas oficinas de confecção de instrumentos de percussão, como caixas de marabaixo e tambores de batuque; além de artesanato, fabricação de gengibirra — uma bebida tradicional associada às manifestações culturais amapaenses —, contação de histórias, ritmos do marabaixo e do batuque, e demonstrações sobre o processo de fabricação da farinha. As oficinas serão conduzidas por moradores e detentores desses saberes, valorizando a experiência de quem mantém vivas as tradições do Curiaú.
Para Adelson Preto, compartilhar esses saberes é fundamental para fortalecer os vínculos entre as novas gerações e suas raízes. “O Curiaú é um território de muita história, resistência e criatividade. Cada instrumento, cada ritmo, cada história contada e cada saber compartilhado carrega a memória dos nossos ancestrais. Queremos valorizar esses conhecimentos, aproximar os jovens das nossas tradições e mostrar que a cultura quilombola continua viva, produzindo identidade, pertencimento e novas possibilidades”, destacou o idealizador.
Após essa primeira fase do projeto, será implementada uma segunda etapa, com a realização das oficinas diretamente nas escolas participantes. O objetivo é ampliar o acesso às atividades e conectar ainda mais o ambiente escolar com os conhecimentos, práticas e expressões culturais do Quilombo do Curiaú.
A iniciativa é possível graças à Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com recursos geridos pela Secretaria de Estado da Cultura do Amapá e produção da Associação Ói Nóiz Akí.
Programação das Oficinas
Local: Centro de Cultura Raízes do Bolão, na Maloca da Tia Chiquinha, Quilombo do Curiaú.
30 de outubro:
– Estudantes da Escola Estadual Maria do Carmo Viana
– Horário: das 8h às 11h30
3 e 4 de novembro:
– Estudantes da Escola Estadual Maria Neusa do Carmo
– Horário: das 14h às 17h30
5 de novembro:
– Estudantes da Escola Estadual Maria do Carmo Viana
– Horário: das 14h às 17h30
Oficinas e Facilitadores
– Confecção de instrumentos de percussão: caixas de marabaixo e tambores de batuque, com Pedro Bolão;
– Artesanato: com Benedita Ricarda;
– Fabricação de gengibirra: com Antônia Márcia;
– Contação de histórias: com Esmeraldina dos Santos;
– Ritmos do marabaixo e do batuque: com Alex Biluca e Diego Bolão;
– Fabricação de farinha: com Januário e João Bolão.
Durante as oficinas, também haverá uma feira de produtos quilombolas, promovendo uma conexão direta com os produtos da cultura local.
(Texto: Mary Paes)