Douglas Lima
Editor
Em entrevista exclusiva ao programa Ponto de Encontro (Diário FM 90,9) desta terça-feira, 2, o coronel Allan, comandante da Polícia Militar do Amapá, destacou a relevância do setor de inteligência da corporação. Ele afirmou que a atuação dos agentes de segurança é mais efetiva quando existe um estudo prévio sobre as manchas criminais nos bairros. Esse foco no planejamento estratégico das ações de segurança pública é fundamental para a eficácia das operações policiais.
O coronel exemplificou sua afirmação citando uma métrica que indica um policial para cada trezentos habitantes. Esse número é essencial, segundo ele, para a elaboração de estratégias que atendam às necessidades específicas de cada região, onde a segurança pública deve ser proporcional à demanda identificada.
“Pegue um bairro com 50 mil habitantes, mas que não tem ocorrência de roubo a transeunte. Se usar essa matemática, a conta não fecha. Precisamos transformar isso em um resultado positivo e eficiente. Falo isso como alguém que veio da inteligência da PM”, pontuou Allan.
O coronel explicou que, ao mapear um bairro violento, a PM levanta os horários de maior incidência e os tipos de delitos mais frequentes, como assaltos a pedestres, comércios ou residências. A partir desse diagnóstico, a corporação direciona o policiamento de forma precisa, garantindo que os agentes estejam onde realmente são necessários.
Planejamento Estratégico para a Segurança Pública
O planejamento estratégico da Polícia Militar é uma ferramenta essencial para otimizar a resposta às ocorrências. Ao identificar padrões e focos de criminalidade, a corporação pode alocar recursos de maneira mais eficiente. O coronel Allan reforçou que essa estratégia deve ser constantemente atualizada, em função da dinâmica das ocorrências. O uso de tecnologia e dados estatísticos se torna, assim, um aliado importante na luta contra a criminalidade.
Em cenários críticos, como ocorrências com reféns, o coronel destacou que a PM instala um gabinete de crise para avaliar os riscos à vida da vítima. Nesses momentos, a negociação é colocada como prioridade, sendo que o uso de atiradores de precisão ou alternativas táticas é cuidadosamente avaliado. A autorização final para qualquer ação, no entanto, é de responsabilidade do governador do estado.
Cenários Desafiadores e Aprendizado
O comandante trouxe à tona um exemplo real que exemplifica os desafios enfrentados pela polícia. Ele mencionou o caso do Ônibus 174, no Rio de Janeiro, em que uma refém foi morta após horas de negociação. “Foi um erro de execução do plano; alguém com iniciativa própria viu uma oportunidade de resolver o problema. Foi um erro individual”, lamentou. Este evento serve de aprendizado para a PM, reforçando a importância do cumprimento rigoroso dos protocolos estabelecidos durante as operações.
Essa experiência trágica ressalta a necessidade de um treinamento robusto e de um acompanhamento mais rigoroso de cada operação. O coronel Allan acredita que, ao fortalecer o componente de inteligência, a polícia poderá não apenas responder com eficácia em situações de crise, mas também prevenir que essas situações ocorram, fortalecendo a segurança da sociedade.
Efetivo da PM do Amapá
Atualmente, a Polícia Militar do Amapá conta com 3.700 agentes em seu efetivo. Durante a entrevista, o coronel Allan anunciou a formatura de 347 novos soldados programada para o dia 23 de junho. Ele expressou otimismo com a expectativa de convocar mais quinhentos aprovados para a próxima turma, o que consolidará o maior efetivo da história das forças de segurança do Amapá. A ampliação do efetivo é um passo crucial para o fortalecimento das ações de segurança pública.
O incremento no número de agentes permitirá um atendimento mais rápido e eficiente à população. Com mais policiais nas ruas, a sensação de segurança aumenta, e a probabilidade de ocorrências criminosas tende a diminuir. Isso reflete o comprometimento da PM em oferecer um ambiente seguro para todos os cidadãos do estado.
Em suma, a aposta na inteligência policial e no planejamento estratégico se mostra essencial para a segurança pública no Amapá. O coronel Allan demonstrou, através de sua experiência e conhecimento, que a segurança é uma responsabilidade compartilhada e que, com metodologias adequadas, é possível fazer a diferença na proteção da população.



