A Polícia Federal (PF) identificou um esquema de tráfico de drogas no Pará que pode envolver ao menos 40 policiais militares e guardas municipais. Este escândalo é investigado pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil do Amapá em conjunto com a PF. Várias informações referentes ao crime foram reveladas por Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles.
A organização criminosa é suspeita de enviar grandes quantidades de maconha e cocaína para o Amapá e outros estados, além de manter conexões internacionais. A investigação revela que a principal liderança do grupo é o guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia, atualmente considerado foragido.
Esquema de tráfico envolvente
Pedro de Moraes é acusado de movimentar cerca de R$ 40 milhões em contas bancárias nos últimos três anos, sendo um dos líderes da facção Família do Terror do Amapá (FTA). A polícia investiga se houve vazamento da operação, pois ele deixou sua residência antes do cumprimento dos mandados.
De acordo com as apurações, as drogas eram transportadas do Pará para o Amapá principalmente por balsas, sendo escondidas em sucatas e até dentro de eletrodomésticos, como airfryers, para evitar a fiscalização. O uso de familiares e terceiros como ‘laranjas’ para lavar o dinheiro do tráfico também foi identificado, incluindo um operador que movimentou cerca de R$ 5 milhões.
Complicidade de policiais
O inquérito revela que policiais militares estão diretamente envolvidos no tráfico e na lavagem de dinheiro. Há indícios de que integrantes das forças de segurança se apropriaram de drogas de outras facções, como o Comando Vermelho, para revendê-las. Durante a operação deflagrada dia 31, dois policiais foram presos, assim como um civil ligado à corporação.
Além disso, os integrantes do grupo são investigados por ações violentas, incluindo um assalto a uma embarcação em 2021. Durante esse crime, Pedro de Moraes foi flagrado fardado, comentando sobre o ocorrido. Mensagens entre membros da organização levantam suspeitas sobre um possível esquema de encobrimento das atividades ilícitas.
Operação Abadon em andamento
A investigação faz parte da Operação Abadon, que cumpre 118 mandados judiciais em seis estados: Amapá, Pará, Roraima, Ceará, Rio Grande do Norte e São Paulo. As investigações começaram em 2023, após a prisão de um membro da facção que estava na casa de um policial militar no Pará.
A partir dessa prisão, a polícia conseguiu mapear a estrutura da organização criminosa, que utilizava contas de terceiros para movimentar e ocultar os valores relacionados ao tráfico. Em um dos endereços ligados ao esquema, os agentes apreenderam uma BMW e cerca de R$ 30 mil em espécie, revelando a magnitude da operação criminosa.

