Douglas Lima
Editor
A advogada Juciely Sanches destacou a violência institucional contra mulheres em entrevista ao programa LuizMeloEntrevista (Diário FM) nesta terça-feira, 21. Durante a conversa, ela compartilhou a história de uma cliente que buscou ajuda na Delegacia da Mulher após denunciar violência, mas acabou sendo presa.
De acordo com Juciely, a mulher foi levada à unidade policial após solicitar socorro, mas, devido a uma estratégia da defesa do seu agressor, acabou sendo algemada e levada à prisão. Este caso ilustra bem como a violência institucional pode afetar as mulheres em locais que deveriam oferecer proteção.
“Eu tive um caso em que a mulher pediu socorro na Delegacia da Mulher, chamou os policiais e foi direcionada para lá. Por uma manobra da defesa do marido, ela saiu presa de lá. A vítima que denunciou saiu presa”, relatou.
O incidente ocorreu no ano passado, durante a semana do Dia das Mães, evidenciando a necessidade de um monitoramento constante das instituições para garantir que as mulheres recebam o acolhimento e proteção adequados.
Conforme a advogada, a violência contra a mulher não se limita ao ambiente doméstico. Pode aparecer de forma institucional, patrimonial, física e moral. Além disso, em disputas por reconhecimento, muitas mulheres acabam sendo alvo de ataques à sua reputação.
“Quando não se consegue tirar essa mulher do espaço de uma forma, na disputa por capacidade, atinge-se logo a questão moral dela”, afirmou.
Mulheres ainda enfrentam barreiras na política
Juciely também abordou a questão da participação das mulheres na política. Ela citou dados que indicam que as mulheres constituem a maior parte do eleitorado brasileiro, mas ainda ocupam uma fração reduzida dos espaços de poder. Essa limitação não se deve apenas a questões culturais, mas também a estruturas partidárias e sociais que dificultam o acesso delas a cargos eletivos e de decisão.
Ela explicou o funcionamento da cota de gênero durante as eleições e ressaltou a importância da fiscalização sobre a real participação das candidatas, bem como a correta aplicação dos recursos destinados às campanhas. Juciely defendeu a necessidade da presença feminina nos espaços de decisão, argumentando que isso é fundamental para a criação de políticas públicas voltadas a diferentes setores da sociedade.
Desafios enfrentados por mulheres no mercado político
Durante a entrevista, a advogada listou alguns dos principais desafios que as mulheres enfrentam no contexto político, como a falta de valorização e visibilidade, além de um ambiente que muitas vezes se mostra hostil. A necessidade de criar alianças sólidas entre as mulheres e com homens que apóiem a causa foi enfatizada como um passo essencial.
Juciely também reforçou que a luta pela igualdade de gênero no espaço político deve ser contínua. “Quando as mulheres se unem, elas são mais fortes. E a participação delas é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, concluiu.
O período eleitoral, segundo a advogada, constitui uma oportunidade valiosa para fomentar discussões sobre a ocupação dos espaços de poder e promover uma maior participação feminina na política. “A mulher vai muito longe. E com o apoio dos nossos pares, dos homens e de outras mulheres, nós vamos muito mais”, finalizou, reforçando a importância do engajamento coletivo.
