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Fé e política podem andar juntas na transformação social

Fé e política podem andar juntas na transformação social

Iaci Pelaes
Doutor em direito e justiça (UFMG)
Pr. Presidente da Assembleia de Deus do Amapá

No dia 25 de outubro deste ano, o eleitor brasileiro voltará para escolher o presidente da República. O debate entre os candidatos Flávio e Lula está acirrado, com diversos temas em evidência: segurança pública, economia, saúde pública, educação e questões de gênero, entre outros. Neste contexto, um aspecto que voltou à tona é a intersecção entre fé e política.

Ambos os candidatos têm um forte apelo religioso, especialmente nas redes sociais e em sua presença em missas, cultos e ambientes espirituais. Pesquisas eleitorais indicam que Flávio Bolsonaro conta com a preferência de mais de 60% dos evangélicos, enquanto Lula se aproxima de 25%, de acordo com dados do Datafolha divulgados em 8 de outubro.

A pergunta que surge é: o que fé e religião têm a ver com política e a disputa eleitoral?

A Intersecção entre Fé e Política

Alguns defendem que fé e política são como água e óleo, totalmente incomunicáveis. Essa perspectiva sugere que o mundo invisível, ou sobrenatural, é distinto da realidade física e não influencia a esfera política. Esta visão separatista, que remonta a Platão e sua divisão entre mundos, parece negar um vínculo intrínseco entre essas duas dimensões.

Entretanto, essa separação é superficial. Ao adotarmos uma mentalidade holística, podemos perceber que fé e política se entrelaçam. A cosmovisão cristã não vê a esfera espiritual como algo isolado da realidade sociopolítica, mas sim como um elemento que permeia e influencia o cotidiano.

Cosmovisão e a Influência no Voto

A cosmovisão está relacionada à maneira de ver e interpretar o mundo. Funciona como uma lente que molda nossas percepções e respostas a diferentes situações. Segundo JB Carvalho, é um hábito mental que impacta a interpretação de eventos da vida. No contexto eleitoral, isso é crucial.

Na hora de escolher um candidato à presidência, muitos eleitores brasileiras considerarão não apenas propostas econômicas, mas também valores espirituais e morais que cada candidato representa. A visão de mundo de cada um influencia diretamente como interpretam as propostas e a trajetória dos candidatos.

Temas de Conflito e Alinhamento Espiritual

Aristóteles, em sua obra Política, enfatiza a inclinação natural do ser humano para viver em comunidade, descrevendo-o como um “animal político”. Essa multifacetada condição humana envolve dimensões biológicas, sociais, psicológicas, econômicas e, claro, espirituais.

No segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto, milhões de eleitores estarão atentos a temas como direito à vida, aborto, conceito de família e a relação entre fé e liberdade religiosa. Cada votação reflete uma escolha baseada não apenas em interesses materiais, mas também na busca da representação de suas crenças e valores.

Portanto, ao apertar o botão da urna eletrônica no dia 25 de outubro, muitos estarão optando não apenas por um líder político, mas por uma visão que ressoe com suas crenças e convicções espirituais. O voto é, de fato, uma expressão da cosmovisão do eleitor, indicando que fé e política estão entrelaçadas e se influenciam mutuamente.

Em síntese, a interação entre fé e política é complexa e não deve ser subestimada, especialmente em um momento político tão decisivo. A conexão entre essas esferas esculpe o panorama eleitoral e reflete a busca dos cidadãos por líderes que não apenas prometem melhorias materiais, mas que também representam valores que ecoam suas crenças internas.

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