Enfrentamento à violência contra as mulheres: ações eficazes e urgentes

Enfrentamento à violência contra as mulheres: ações eficazes e urgentes

O fortalecimento das políticas públicas no enfrentamento à violência doméstica foi um dos temas centrais do evento ELAS, que aconteceu no dia 25 de novembro. O encontro, que incluiu a “Câmara-Ação”, promoveu o debate sobre a proteção e o acolhimento das mulheres, reunindo profissionais de diferentes setores, ativistas e a sociedade civil, todos comprometidos em encontrar soluções eficazes para este grave problema social.

Sob a condução da mediadora e jornalista Narjara Costa, o evento trouxe à tona histórias emocionantes e destacou a importância do suporte contínuo às vítimas de violência. Narjara, uma sobrevivente que compartilhou sua própria experiência, enfatizou que o acolhimento é fundamental para que outras mulheres também possam reconstruir suas vidas. Sua presença corroborou a ideia de que, embora o trauma possa ser intenso, ele não precisa definir o futuro de uma mulher.

A cabo Josilene Carvalho, supervisora do Curso Atena da Polícia Militar, trouxe à discussão as estratégias de prevenção voltadas para as mulheres que trabalham na área de segurança. Durante sua apresentação, Josilene ressaltou como é crucial empoderar essas profissionais para que possam não apenas compreender a gravidade da violência de gênero, mas também serem agentes de mudança em suas comunidades.

“É um momento de extrema importância para compartilharmos experiências. Como profissional da segurança pública na linha de frente, presencio muitas realidades. Hoje, liderar o Curso Atena, voltado exclusivamente para mulheres, tem um significado enorme. Nosso intuito é capacitar essas servidoras para que elas repliquem o conhecimento em suas unidades e, assim, consigam alcançar e proteger ainda mais mulheres”, explicou a cabo.

A presença de figuras como Aldineia Miranda, mãe da cabo PM Emily Monteiro, que foi vítima de feminicídio em 2018, trouxe um tom emocional ao evento. Aldineia abriu seu coração ao falar sobre o legado de sua filha e a importância da prevenção, do acolhimento e da denúncia por parte das vítimas. Sua fala emocionou todos os presentes e serviu como um poderoso lembrete da urgência do combate à violência contra a mulher.

“Estou aqui não para falar do acontecido, mas sim sobre as formas de prevenção, acolhimento e a importância da denúncia. Essa é uma forma de ajudar outras mulheres e saber que, de alguma maneira, a minha filha continua ajudando, de onde quer que ela esteja”, foi assim que ela encerrou sua emocionante contribuição.

O debate ressaltou ainda a necessidade de fortalecer redes de apoio e potenciar as políticas públicas já existentes. A divulgação de canais como o 190 e o 180 é vital, pois proporciona às vítimas uma via de escape e a oportunidade de denunciar seus opressores.

A coordenadora do Abrigo Fátima Diniz, Suane Pinheiro, também esteve presente e abordou o papel fundamental que os abrigos para mulheres em situação de risco desempenham. O abrigo gerido por Suane funciona há mais de 25 anos, oferecendo um local seguro e acolhedor para mulheres e seus filhos.

“Quando recebi o convite para o ELAS, fiquei maravilhada. No início, pensei em recusar pelo medo da exposição, mas entendi que este momento representa o reconhecimento de um trabalho que não é só meu, mas de toda a equipe”, destacou, reconhecendo a colaboração coletiva necessária para manter esse tipo de serviço.

Simone Palheta e Priscilla Flores

Outra participante, a arquiteta Letícia Freitas, trouxe à discussão a conexão entre autonomia econômica e o enfrentamento da violência. Sua fala centrou-se no potencial do empreendedorismo como ferramenta de emancipação.

“Para mim, o empreendedorismo é a salvação da mulher contra a violência. Ele vai muito além do aspecto financeiro: proporciona independência, resgata a confiança e reconstrói o psicológico que a violência destrói. Empreender prova que a mulher tem uma força mental gigante para romper esse ciclo e lembrar que ela é muito maior do que qualquer agressão”, concluiu Letícia, reafirmando que o empoderamento econômico é essencial para um futuro mais seguro para as mulheres.

Em suma, o evento ELAS não apenas serviu como uma plataforma de diálogo e troca de experiências, mas também reforçou a importância de ações eficazes para o combate à violência contra a mulher. A mobilização entre distintas esferas da sociedade é necessária para que se possa criar um ambiente mais seguro e acolhedor para todas as mulheres.