O legado de Mestre Sacaca é uma celebração das tradições amazônicas. Na última sexta-feira, 21, a cultura estadual do Amapá se reuniu para comemorar os 100 anos de nascimento de Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca. O evento, que congregou familiares, representantes de entidades culturais e convidados, destacou a trajetória e o legado deixado por esse mestre da ciência popular.
Representando o Governo do Estado, a secretária de Estado da Cultura, Clícia Di Miceli, participou das festividades que se iniciaram com uma Santa Missa, na Paróquia São Benedito, seguidas por uma solenidade no Centro de Cultura Negra de Macapá.
Durante a homenagem, Clícia ressaltou a importância de manter viva a memória de Mestre Sacaca e reconhecer sua vasta contribuição à valorização dos saberes tradicionais. “Viva o Mestre Sacaca, viva o centenário e sua vida dedicada à ciência popular; doutor da floresta. E nós estamos celebrando no Centro de Cultura Negra, que também tem o toque das mãos do Sacaca”, disse a secretária.
A trajetória de um mestre
Mestre Sacaca construiu uma trajetória rica em saberes, sendo amplamente reconhecido pelo seu profundo conhecimento acerca de plantas medicinais e pelos saberes tradicionais da Amazônia. Ele foi um dos fundadores e primeiro funcionário do antigo Parque Florestal de Macapá, lugar que hoje abriga o Bioparque da Amazônia.
A relevância de sua contribuição se estendeu também ao meio acadêmico. A Universidade Federal do Amapá (Unifap) aprovou, por unanimidade, a concessão do título de Doutor Honoris Causa Post Mortem ao mestre, uma homenagem que simboliza o reconhecimento de sua dedicação ao conhecimento popular e às ciências naturais.
Reconhecimento da comunidade
Para a família de Mestre Sacaca, essa homenagem representa um agradecimento pelo carinho e respeito que receberam do povo do Amapá ao longo dos anos. José Sousa, um dos filhos do mestre, enfatizou a relação construída pelo pai com a população, destacando a importância de sua figura na comunidade. “A nossa família dedica esse dia ao povo do Amapá, que sempre acolheu meu pai, acreditou, o respeitou e o reconheceu. Em nome da nossa mãe, Madalena, de 94 anos, agradecemos a todos”, afirmou José.
Preservação da memória cultural
A celebração tornou-se um momento fundamental para reforçar a importância de preservar a memória das personalidades que moldaram a identidade cultural do Amapá. Mestre Sacaca não é lembrado apenas pela sua contribuição ao conhecimento sobre a floresta, mas também pelas práticas tradicionais e culturais vinculadas ao uso das plantas medicinais.
A homenagem a Mestre Sacaca transcende a mera comemoração de seu centenário. Ao celebrar sua vida e legado, a sociedade amapaense reafirma seu compromisso com a valorização das tradições locais e a promoção dos saberes populares, que são a essência da identidade cultural da região.
Esse evento não só revive a memória de um dos grandes mestres da Amazônia, mas também serve como um convite à reflexão sobre a importância de valorizar os saberes tradicionais em tempos de modernidade e aceleradas mudanças sociais. O legado de Mestre Sacaca é um farol que ilumina o caminho para futuras gerações, inspirando a busca por conhecimentos enraizados na cultura, na natureza e no respeito pela biodiversidade da Amazônia.

