Dando continuidade à série especial do Portal Alex Braga, esta reportagem reconstitui a atuação da Operação Vertex no núcleo familiar do senador Omar Aziz (PSD), com foco na prisão temporária de três irmãos dele durante a fase deflagrada pela Polícia Federal no Amazonas em 2019.
Como mostrado na primeira reportagem da série, a Operação Vertex teve origem dentro do conjunto de investigações da Operação Maus Caminhos e resultou em medidas como prisão temporária de investigados e bloqueio de cerca de R$ 92,5 milhões em bens e contas bancárias. O caso passou por diferentes fases judiciais, com decisões conflitantes, recursos e redistribuições no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e segue com desdobramentos ainda em análise na primeira instância da Justiça Federal.
Foi nesse contexto que, em julho de 2019, a Polícia Federal cumpriu mandados que resultaram na prisão temporária de três irmãos do senador Omar Aziz, Amin, Murad e Mansur Aziz, em uma operação que também atingiu outros investigados ligados ao mesmo núcleo de apuração. As detenções ocorreram junto ao cumprimento de mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça Federal.
PF aponta repasses, contratos e movimentações suspeitas
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF) e com decisões judiciais relacionadas ao caso, os irmãos de Omar Aziz teriam sido beneficiados por vantagens financeiras e contratuais investigadas no âmbito da Operação Vertex.
Segundo os relatórios da Polícia Federal, os repasses estariam ligados a contratos e movimentações envolvendo empresas e organizações sociais que atuavam na área da saúde no Amazonas, entre elas o Instituto Novos Caminhos (INC), que administrava unidades de saúde no estado.
As investigações apontam a possibilidade de pagamentos mensais, contratos considerados irregulares e transferências financeiras feitas por meio de empresas intermediárias.
Amin Aziz é citado em contrato com suspeita de superfaturamento
No caso de Amin Aziz, a Polícia Federal identificou um contrato de aluguel considerado suspeito envolvendo uma sala comercial em Manaus.
Segundo os investigadores, o imóvel teria cerca de 170 metros quadrados e era alugado por aproximadamente R$ 25 mil mensais, enquanto outros espaços semelhantes no mesmo prédio apresentavam valores significativamente menores.
A diferença chamou atenção da PF e foi citada como possível indicativo de superfaturamento e uso do contrato como mecanismo indireto de repasse de recursos.
Há ainda menções, nos autos da investigação, de vínculos entre a empresa responsável pelo contrato e o investigado, o que reforçou a necessidade de apuração segundo o Ministério Público Federal.
Murad Aziz teria recebido mesada e carro de luxo
No caso de Murad Aziz, as investigações apontam que ele teria recebido valores mensais que poderiam chegar a cerca de R$ 154 mil, além de um carro de luxo atribuído ao mesmo núcleo investigado.
De acordo com o MPF, os repasses ocorreriam sem justificativa contratual formal e fariam parte de um esquema de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em coautoria com outros investigados.
As apurações também indicam o uso de aplicativos de mensagens com conteúdo autodestrutivo e linguagem codificada, em tentativa de dificultar o rastreamento das conversas.
Em trechos citados pela Polícia Federal, investigados se referem ao senador Omar Aziz pelo codinome “Alfa” em mensagens analisadas durante a investigação.
Mansur Aziz teria recebido R$ 100 mil em repasses, diz PF
Já no caso de Mansur Aziz, a Polícia Federal aponta a existência de pagamentos que somariam cerca de R$ 100 mil, atribuídos a encontros e entregas combinadas com intermediários ligados ao esquema investigado.
Segundo os investigadores, os valores eram tratados em códigos como “remédios” e “comprimidos”, além de termos como “diferença” e “sobra”, usados para disfarçar movimentações financeiras.
As entregas, segundo a PF, teriam ocorrido em locais previamente combinados, incluindo galpões e áreas comerciais ligadas às empresas investigadas.
Prisões e medidas cautelares
Após a deflagração da operação, os três irmãos foram conduzidos ao Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), em Manaus, onde permaneceram durante o período das prisões temporárias.
Além das prisões, a Justiça determinou bloqueios de contas bancárias, sequestro de bens e apreensão de veículos ligados aos investigados.
Em diferentes momentos, as defesas negaram qualquer envolvimento em irregularidades e contestaram a interpretação dos elementos reunidos pela investigação, incluindo mensagens e contratos analisados pela Polícia Federal.
Processo segue em andamento
Assim como outros desdobramentos da Operação Vertex, o caso segue com tramitação na Justiça Federal e passou por diferentes fases recursais, redistribuições e discussões sobre competência ao longo dos anos, sem encerramento definitivo das apurações no âmbito judicial.
NOTA
O Núcleo de Reportagem Investigativa do Portal Alex Braga entrou em contato com o Ministério Publico Federal, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para esclarecimentos.