MP-AP inspeciona restauração da capela da Fortaleza de São José

MP-AP inspeciona restauração da capela da Fortaleza de São José

O Ministério Público do Amapá (MP-AP), por meio da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, está investigando a descaracterização da capela da Fortaleza de São José de Macapá (FSJM). O promotor de justiça Marcelo Moreira realizou uma inspeção técnica na última quarta-feira (15), acompanhado de representantes da Universidade Federal do Amapá (Unifap), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

Informações sobre possíveis alterações na capela circularam em redes sociais, onde foram publicadas imagens mostrando o local sem objetos como altar, imagens de santos e bancos, além de uma iluminação moderna. O intuito do MP-AP é assegurar que o restauro ocorra sem comprometer o patrimônio histórico do Amapá, mantendo a identidade da Fortaleza de São José, que foi tombada nos anos 50 pelo Iphan como Patrimônio Nacional e é candidata a Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Acompanhamento do Restauro

Na inspeção, a secretária de estado da Cultura, Clícia Di Micelli, a diretora da FSJM, Analene Nogueira, e a museóloga Flávia Souza discutiram as etapas da obra. Elas afirmaram que o restauro está sendo realizado conforme o projeto e com a supervisão constante do Iphan. Segundo a secretária, os objetos e o mobiliário foram removidos para proteção até que a restauração seja concluída.

“A capela não sofreu alteração em sua estrutura. O mobiliário está em segurança em um anexo dentro da própria capela. A iluminação diferente da original foi colocada provisoriamente para não interditar a Fortaleza para visitação durante o restauro. Os visitantes ainda podem conhecer a estrutura física e ver o altar original”, declarou a secretária Clícia.

Preocupações em Relação ao Patrimônio

Chales Sena, superintendente substituto do Iphan, enfatizou que o instituto está ativamente monitorando todo o processo de restauro, assegurando que o projeto seja respeitado e que a preservação do bem tombado seja uma prioridade. Para a arquiteta e professora da Unifap, Eloane Cantuária, a capela possui grande importância histórica e religiosa para a população local, e há um sentimento de perda com a ausência do altar no seu local original.

“Vamos continuar acompanhando o restauro com grupos de pesquisa e preservação da memória, garantindo assim a lisura e a transparência do processo, além de proteger o patrimônio histórico-cultural do Amapá. Durante esta inspeção, verificamos que os elementos sacros e históricos permanecem na capela e temos a expectativa de que os prazos sejam cumpridos para a reabertura da Fortaleza com a capela restaurada e sem alterações arquitetônicas que comprometam a memória religiosa desse importante patrimônio nacional, estadual e mundial”, concluiu o promotor Marcelo Moreira.