Priscila Pereira afirma que Psicanálise não promete cura, mas guia o paciente.

Douglas Lima
Editor

A psicanalista e psicóloga Priscila Pereira, durante sua participação no programa ‘LuizMeloEntrevista’ na manhã desta quarta-feira, 6, elucidou que o trabalho da Psicanálise, seja clínico, de pesquisa ou acadêmico, segue os rastros dos conteúdos inconscientes. Isso se refere ao mais íntimo de cada sujeito e está associado à sua história, revelando-se em sonhos, chistes, atos falhos e sintomas.

Priscila Pereira concedeu a entrevista em função do Dia do Psicanalista, data que se celebra hoje em homenagem ao nascimento de Sigmund Freud, em 6 de maio de 1856. Freud é reconhecido mundialmente como o Pai da Psicanálise. A data simboliza uma homenagem aos profissionais que investigam o inconsciente e tratam o sofrimento psíquico, utilizando a escuta clínica fundamentada nos conflitos e emoções dos pacientes.

A especialista destacou que, ao receber um paciente para escuta, o psicanalista acolhe e legitima a fala da pessoa, reconhecendo os múltiplos modos de linguagem e expressão. É crucial que o profissional esteja atento ao que o paciente tem a dizer sobre si mesmo e sobre seu sofrimento, que pode incluir relações, desilusões, fracassos, ideais e conquistas.

“O analista não direciona a fala de quem ele escuta, mas orienta o trabalho a ser realizado, permitindo que a pessoa fale livremente sobre o que desejar”, advertiu a doutora Priscila Pereira. Ela explicou que a Psicanálise não propõe nem promete cura, mas acredita que, por meio da escuta atenta e sensível, o paciente pode reescrever suas narrativas e alterar a direção de sua vida.

Conforme a profissional, o psicanalista não realiza o tratamento isoladamente; a prática pode ser multidisciplinar, envolvendo diversas áreas do conhecimento, incluindo a Psicologia e a Psiquiatria. Cada uma dessas áreas possui seu próprio conjunto de conhecimentos e direcionamentos. É importante ressaltar que a Psicanálise não é apenas uma abordagem da Psicologia, mas uma teoria e prática específica cujo objetivo é o estudo do inconsciente, utilizando a técnica da associação livre, que permite ao paciente falar livremente e sem sugestões externas.

Priscila detalhou as diferenças entre as áreas de atuação. A Psicologia se concentra em psicoterapia, intervenções breves e avaliações psicológicas, sempre orientadas pela escuta do consciente. Em contrapartida, a Psiquiatria, como especialidade médica, se dedica à prevenção, diagnóstico e tratamento de transtornos mentais, podendo prescrever medicamentos conforme necessário.

“A ética da Psicanálise é baseada na crença no poder criativo que cada sujeito possui, independentemente de seu diagnóstico ou qualquer outra condição apresentada. É fundamental considerar o que a pessoa tem a dizer sobre si mesma e como, com os recursos que possui, pode promover transformações em sua posição subjetiva em função de seus desejos e escolhas”, completou Priscila Pereira, que é Associada ao Corpo Freudiano do Rio de Janeiro, professora universitária e doutoranda em psicologia pela Universidade Federal do Pará.