Dia Municipal dos Cultos Afro-Religiosos: Celebre a Cultura Amapaense

Dia Municipal dos Cultos Afro-Religiosos: Celebre a Cultura Amapaense

No dia 8 de maio, a Prefeitura de Macapá deu início às comemorações do 20º Dia Municipal dos Cultos Afro-Religiosos, ressaltando a importância da resistência e da preservação cultural. O evento foi marcado por um café da manhã comunitário no Terreiro de Mina Nagô de Santa Bárbara, na capital amapaense, reunindo diversas representações de culturas e religiões afro-brasileiras, como umbanda, candomblé e marabaixo.

A data, conhecida como “08 de Maio – Luta e Resistência”, celebra o primeiro Tambor de Mina tocado no Amapá. A atividade foi organizada pelo Instituto Municipal de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial (Improir), que reafirma o compromisso municipal com a valorização das tradições afro-amapaenses. A diretora-presidente do Improir, Elisia Congó, pontuou a relevância histórica do dia para as comunidades tradicionais de terreiro.

“É uma programação muito importante. O 8 de maio marca a lei estadual que reconhece o direito e o respeito aos cultos afro-religiosos. Foi neste terreiro de Santa Bárbara que aconteceu o primeiro toque do Tambor de Mina realizado pela Mãe Dulce. É um momento de reflexão, alegria e fortalecimento da nossa ancestralidade. É a cultura do município sempre buscando a valorização e o fortalecimento das nossas tradições”, observou.

Este ano, as homenagens também se dirigem à memória de Mãe Dulce Moreira, uma das pioneiras dos cultos afro-religiosos na região. Para Anselma Ramos, uma destacada mãe de santo, a celebração representa uma conquista significativa, além de enfatizar a importância do respeito e da conscientização no combate ao preconceito direcionado às religiões de matriz africana.

“A gente que é da umbanda se sente engrandecido com iniciativas como essa, porque ainda existe muito preconceito contra as religiões de matriz africana. Mas seguimos acreditando na construção do respeito. Vou completar 13 anos de terreiro e seis anos de feitura, e desde que entrei para esse universo minha vida mudou muito. Para fazer parte da umbanda é preciso ter humildade. Também agradecemos o apoio do prefeito Pedro DaLua na realização desta confraternização e no fortalecimento da nossa cultura”, compartilhou emocionada.

Programação e Atividades

Na programação deste ano, destaca-se uma palestra sobre africanidade amazônida, marcada para as 15h, no Museu do Negro, no centro da cidade. O babalorixá Pai Vanjurê será o responsável por guiar a atividade, que visa ampliar o conhecimento acerca das religiões de matriz africana e contribuir para o combate à desinformação e ao preconceito.

“A palestra tem como objetivo desmistificar e esclarecer as diferenças entre as religiões de matriz africana. Estaremos lá como fonte de conhecimento para tirar todas as dúvidas de pessoas que nunca tiveram contato com a história do nosso segmento cultural”, enfatizou Vanjurê.

Valorização da Cultura Afro-Brasileira

As celebrações do Dia Municipal dos Cultos Afro-Religiosos prosseguem nos dias 14 e 15 de maio e contam com um robusto apoio estrutural da Prefeitura de Macapá. A gestão municipal tem se comprometido com a montagem de palco, iluminação, sonorização e tendas para garantir a realização das atividades nas comunidades. A festividade é amparada pela Lei Municipal nº 1.495/2006, que reconhece e reforça a importância da valorização, visibilidade e resistência das comunidades tradicionais de terreiro no Amapá.

Este contexto proporciona não apenas um espaço de celebração, mas também uma oportunidade de reflexão sobre a luta diária das religiões afro-religiosas, que enfrentam desafios e preconceitos. A visibilidade dessas tradições é crucial para a promoção do respeito e da diversidade cultural, essencial em uma sociedade plural.

Com ações que buscam a inclusão e a promoção da igualdade, a Prefeitura de Macapá se esforça para criar um ambiente onde todas as culturas, principalmente as afro-brasileiras, sejam respeitadas e celebradas. Assim, a resistência é alimentada por iniciativas que promovem a valorização das raízes e da história do povo afro-amapaense, garantindo que as novas gerações conheçam e preservem esse rico legado cultural.