A valorização dos saberes ancestrais é fundamental para uma sociedade mais justa e inclusiva. Durante o programa ‘LuizMeloEntrevista’ na Diário FM 90,9, a jornalista, escritora e pesquisadora Rosane Borges defendeu essa ideia, ressaltando as experiências periféricas e o protagonismo amazônico.
No segundo dia do evento “Elas – Encontro de Lideranças Femininas do Amapá”, Rosane refletiu sobre comunicação, construção de narrativas e os desafios que as mulheres enfrentam na sociedade contemporânea. Natural de São Luís, no Maranhão, ela enfatizou a conexão histórica entre os territórios amazônicos, citando: “São Luís é a Amazônia Negra e biológica. Então, tem algo que nos une”.
A importância das narrativas em tempos digitais
Reconhecida por seus estudos sobre comunicação, raça e gênero, a pesquisadora destacou o papel das narrativas, especialmente em tempos de redes sociais. Ela frisou que ampliar os espaços de fala na sociedade exige uma responsabilidade coletiva de todos. Para Rosane, as vozes de grupos historicamente marginalizados devem ser ouvidas e suas experiências valorizadas. Como ela afirmou: “Os habitantes da borda do mundo veem coisas que o centro não vê”.
Essas experiências, segundo ela, são fundamentais na busca por alternativas que promovam sociedades mais inclusivas. Ouvir essas vozes não é apenas conceder espaços, mas reconhecer uma legitimidade que sempre existiu, considerando que esses saberes são frutos de lutas e resistências ao longo do tempo.
A Amazônia como centro de justiça integral
Rosane Borges também abordou o papel estratégico da Amazônia diante das crises ambientais e sociais que vivemos atualmente. Para ela, a defesa da floresta deve estar intimamente ligada à proteção das pessoas e culturas que habitam o seu interior. “A defesa não é só das florestas, porque debaixo delas vivem pessoas. É uma defesa integral da floresta, das pessoas e da cultura.” Assim, ela sublinhou a conexão entre justiça climática e justiça social, racial e de gênero.
Essa perspectiva revela a necessidade de um modelo de desenvolvimento que se preocupe em integrar as diversas experiências e necessidades da população amazônica. O Amapá, segundo Rosane, tem potencial para contribuir na construção desses novos modelos de convivência e desenvolvimento, respeitando as vozes das comunidades locais.
O protagonismo feminino em um cenário desafiador
O evento também contou com a participação da ativista social Alzira Nogueira, que ressaltou a importância da presença de Rosane Borges no encontro. Alzira destacou os desafios que as mulheres brasileiras enfrentam. “Vivemos a persistência do machismo e o crescimento da misoginia. Mas as mulheres avançam na construção de alternativas políticas coletivas,” comentou.
Ela observou que a atuação organizada das mulheres, especialmente das mulheres negras, amplifica o debate público sobre desigualdades e fortalece estratégias de enfrentamento à violência e à exclusão. “Nós discutimos economia, meio ambiente e política a partir dos nossos fazeres e também sonhamos juntas sobre como transformar essas estruturas,” acrescentou Alzira, sublinhando a força do coletivo feminino na transformação social.
O evento “Elas – Encontro de Lideranças Femininas do Amapá” promove um espaço crucial para o debate sobre direitos, participação política, justiça social e novas formas de pensar o futuro, reafirmando a importância de juntar as experiências femininas e amazônicas na construção de uma sociedade mais equitativa.


