O artista, diretor e produtor cultural amapaense Jhou Santos reestreia o espetáculo ‘Jornada Bufa [Lixo, Pão e Circo]’, no sábado, 2, às 18h, durante a programação do I Festival de Circo da Amazônia, em Belém (PA). Este evento marca o retorno do solo cênico de Jhou Santos após três anos e amplia a circulação da produção cultural amapaense na região Norte.
Com criação e direção de Jhou Santos e dramaturgia assinada em parceria com Wellington Dias, o espetáculo reúne elementos da bufonaria, do teatro físico e da linguagem circense para abordar temas como marginalidade, sobrevivência e crítica social. A trama acompanha um garoto chamado Bufa, que vive em situação de rua e transforma o abandono e os restos da cidade em estratégias de sobrevivência.
A circulação do espetáculo conta com o apoio do Governo do Estado do Amapá, por meio do edital Circuito das Artes, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult/AP), o qual visa incentivar artistas e produções culturais amapaenses. Essa iniciativa é fundamental para o fortalecimento da arte local.
Além da apresentação, Jhou Santos integrou a programação formativa do festival, ministrando a oficina Direção Cênica, nos dias 27 e 28 de julho, reunindo artistas de diferentes linguagens para discutir processos de criação e composição da cena contemporânea. Este tipo de intercâmbio é crucial para o aprimoramento dos artistas da região.
“É muito importante romper as barreiras geográficas e levar um trabalho criado no Amapá para outros territórios da Amazônia. Reestrear Jornada Bufa em Belém representa um momento muito significativo da minha trajetória artística. Sou grato ao apoio concedido pelo edital de credenciamento Circuito das Artes, da Secretaria de Estado da Cultura do Amapá, e à Associação Cultural Circo Nós Tantos pelo convite. Estou muito feliz em compartilhar esse espetáculo com o público paraense, que possui uma relação intensa com as artes”, destaca Jhou Santos.
Sinopse do espetáculo
Bufa é um garoto de rua e catador de lixo, um malabarista da vida que sobrevive entre restos, resíduos e descartes do cotidiano alheio. Tratado pela sociedade ora como homem, ora como bicho, atravessa diariamente uma existência árdua, precária e delirante. O que parecia ser apenas mais um dia comum transforma-se em uma experiência inquietante quando Bufa cai em um buraco de rua que o conduz para além de qualquer realidade possível.
Transportado para um outro plano de existência, ele passa a enxergar as pessoas para além de suas aparências — por dentro e por fora. Esta perspectiva única evidencia a complexidade humana e as nuances da condição social, conferindo ao espetáculo um caráter reflexivo e impactante.
Importância da circulação cultural
O I Festival de Circo da Amazônia é realizado pela Associação Cultural Circo Nós Tantos e integra o projeto Tacacá Cultural, contemplado pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2025. Este festival é uma oportunidade importante para artistas e público se conectarem, permitindo que produções locais ganhem visibilidade e que diálogos entre diferentes culturas sejam estabelecidos.
A circulação de espetáculos como ‘Jornada Bufa’ é essencial para mostrar as peculiaridades da arte do Amapá e sua relevância dentro do contexto da região Norte do Brasil. O apoio institucional, através de editais como o Circuito das Artes, potencia essas iniciativas, permitindo que o talento local seja visto e valorizado em outros estados.
Elaboração e desenvolvimento do espetáculo
Com uma abordagem inovadora, ‘Jornada Bufa’ não apenas entretém, mas também instiga reflexões sobre a realidade social. A junção de bufonaria com elementos circenses e teatrais cria uma experiência rica e multifacetada para o espectador. O comprometimento de Jhou Santos e Wellington Dias com o tema e a forma assegura que a mensagem do espetáculo chegue de maneira contundente.
O espetáculo não é apenas uma performance artística; é um chamado à empatia e à consciência social. A trajetória de Bufa oferece ao público uma visão íntima e detalhada sobre as lutas diárias enfrentadas por aqueles que vivem à margem da sociedade. Essa representação é vital para que se questione e amplie a compreensão sobre temas como marginalização e sobrevivência.
Com certeza, a reestreia de ‘Jornada Bufa’ marca um passo importante na carreira de Jhou Santos e um momento significativo para a cultura amapaense, mostrando o potencial artístico que pode florescer em ambientes muitas vezes esquecidos. Ao levar o espetáculo ao público paraense, Jhou não apenas celebra sua trajetória artística, mas também reforça a importância da arte como ferramenta de transformação social.

