Programação especial marca homenagens ao Centenário de Mestre Sacaca

Programação especial marca homenagens ao Centenário de Mestre Sacaca

Comemora-se nesta sexta-feira, 21 de agosto, o centenário de nascimento de Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca. Figura icônica da história do Amapá, ele é reconhecido por seu profundo saber sobre plantas medicinais e práticas de cura. Para celebrar esta data especial, a família organizou uma programação que inicia com uma Missa, às 19h, na Igreja São Benedito, localizada no bairro do Laguinho. Essa informação foi compartilhada pelo filho José Souza em uma entrevista ao programa LuizMeloEntrevista na Rádio Diário FM.

“Está programada uma missa às 19h na Igreja São Benedito, no bairro Laguinho. Em seguida, por volta das 20h, nós vamos para a União dos Negros do Amapá, reunir com a família e quem quiser aparecer. Vamos ter um pequeno coquetel, mas também uma mão de couro e gengibirra, porque é uma data que não pode passar em branco”, disse José Souza, demonstrando a importância da celebração e do legado deixado pelo pai.

Mestre Sacaca não só deixou um impacto duradouro na medicina popular e na cultura local, mas também recebeu diversas homenagens ao longo dos anos. Ele foi agraciado com a honraria de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Amapá (Unifap) e foi tema de um famoso enredo da Estação Primeira de Mangueira para o desfile de Carnaval de 2026 no Rio de Janeiro. Tais reconhecimentos evidenciam a relevância de sua trajetória e contribuições.

José Souza relembrou algumas das peculiaridades de seu pai. “Eu peguei várias vezes meu pai conversando com as árvores. Era um detalhe dele, era uma coisa que ele tinha, pessoal. Era do verdadeiro, como citou a Mangueira, na bela poesia de Patrícia Bastos e outros aí, papai era um xamã. Realmente, ele tinha esse poder”, ressaltou, demonstrando o quanto essas práticas e convicções estavam enraizadas na vida de Mestre Sacaca.

Além de suas habilidades com as plantas, o filho mencionou que Sacaca já falava sobre petróleo, muito antes do assunto se tornar uma grande questão nas pesquisas da década de 70. Em contato com cientistas e especialistas na área, ele tinha uma visão à frente de seu tempo, mostrando sua sabedoria não apenas nas tradições locais, mas também em temas contemporâneos.

Homenagens e Legado

A programação em memória de Mestre Sacaca não se limitou a eventos pontuais. “Vamos lançar o livro, que é uma forma também de passar para esses estudantes. Já são 27 anos de falecimento. É uma geração que não teve contato, não sentiu o cheiro do preto velho. Então, eles precisam ter um referencial teórico, feito pelo filho, por exemplo”, enfatizou José Souza. Essa iniciativa mostra um esforço em preservar a memória e o conhecimento, assegurando que novas gerações possam aprender e se inspirar no legado de Sacaca.

As homenagens foram sentidas também no Museu Sacaca, que foi nomeado em sua honra. O espaço promoveu uma programação especial em celebração ao centenário do patrono, reforçando a relevância de suas contribuições para a cultura e a medicina popular do estado.

O Impacto de Mestre Sacaca na Cultura Local

A contribuição de Mestre Sacaca vai além de seu conhecimento sobre plantas medicinais; ele representava um elo entre a cultura afro-brasileira e as práticas de cura tradicionais. Sua presença era uma combinação de sabedoria popular e ciência, sempre buscando o equilíbrio na relação com a natureza. Esse aspecto é fundamental para entender a sua importância na cultura local, que valoriza as suas raízes e tradições.

O reconhecimento na Estação Primeira de Mangueira é um símbolo de como sua influência se estende além da sua comunidade. O enredo sobre Mestre Sacaca não só homenageia sua vida, mas também celebra a cultura negra e suas práticas ancestrais no Brasil. Essa intersecção entre a tradição e a modernidade é uma linha contínua na obra de Sacaca, que usou seu conhecimento para transitar por esses universos.

Celebrando a Memória de um Grande Mestre

As celebrações em honra a Mestre Sacaca são uma forma de manter viva a sua memória e as lições que ele deixou. A cultura do Amapá e a do Brasil se enriquecem com figuras como essa, que honram a ancestralidade e estimulam uma maior conexão com a natureza. A programação do dia é um testemunho do amor e respeito que a família e a comunidade têm por esse grande mestre.

Este centenário não é apenas uma comemoração, mas uma oportunidade de refletir sobre a importância de preservarmos e celebrarmos nossas raízes. O legado de Mestre Sacaca transcende o tempo e nos ensina a importância de cada planta, cada saber e cada tradição que construímos juntos. Não podemos deixar que essa sabedoria se perca, e sim perpetuá-la através das novas gerações.